Marx e a Emancipação.
(Por Andréa Medeiros, Christiane Medeiros e Jorge Amaral)
Karl Heinrich Marx (1818-1883) foi um intelectual e revolucionário
alemão, fundador da doutrina comunista moderna, atuou como economista,
filósofo, historiador, teórico político e jornalista e foi o mais
revolucionário pensador sociológico.
Segundo Marx, a sociedade é dividida em
duas classes: a dos capitalistas que detêm a posse dos meios de produção e o
proletariado ou operariado, tendo como única posse o seu trabalho. Os
interesses entre o capital e o trabalho são irreconciliáveis, sendo este debate
a essência do seu pensamento, resultando na formação de uma sociedade dividida
em classes. Assim, os meios de produção resultam nas relações de produção,
formas como os homens se organizam para executar a atividade produtiva. Tudo
isso gera desigualdades, dando origem à luta
de classes.
Marx foi um defensor do comunismo, pois
essa seria a fase final da sociedade humana, alcançada somente a partir de uma
revolução proletária, acreditando na ideia de uma sociedade igualitária. Seu
pensamento voltava-se para a realidade concreta, em que os trabalhadores eram explorados
em fábricas e deixavam seus patrões cada vez mais ricos, enquanto eles e suas
famílias ficavam cada vez mais pobres.
Marx foi o primeiro
pensador econômico que criticou a dinâmica do modelo capitalista. Para ele, no capitalismo o trabalhador perde a
autonomia do processo produtivo, passa a ser submisso a administradores,
principalmente a partir de modernas máquinas, Marx chama esse processo de alienação. Consequência da divisão do
trabalho, a alienação produz o fetiche da mercadoria, é como se a mercadoria
tivesse vida própria. O fetiche ocultaria a principal característica, que é ser
fruto do trabalho humano. Alienação, para Marx, tem
um sentido negativo em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o
escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza. O homem troca o verbo ser
pelo ter, sua vida passa a medir-se pelo que ele possui e não pelo que ele é.
Marx concebeu diferentes formas de alienação, como a religião ou o Estado, em
que o homem, longe de tornar-se livre, cada vez mais se aprisionaria, mas uma
alienação é básica, segundo Marx era a alienação econômica,
que pode ser descrita de duas formas: o trabalho como atividade fragmentada e
como produto apropriado por outros.
Considerando as
formas de alienação e dominação religiosa, política e econômica, podemos dizer
que a questão principal da filosofia política do Marx é a emancipação humana e que a consolidação dessa matriz do seu
pensamento se dá através de uma novidade, a exigência de que tal busca aconteça
no plano das criações conceituais e da ação política transformadora. Essa ideia
de emancipação humana se daria pelo reencontro do homem com ele mesmo. A
superação da alienação passa, necessariamente, pelo rompimento dos elos de
dominação do sistema capitalista, da propriedade privada e pela instalação do
comunismo. A questão de Marx é que a
alienação produzida pela propriedade privada na ideologia e nas formas de
dominação do capitalismo separa o homem, enquanto indivíduo, da sua condição e
consciência genérica e, portanto, da sua capacidade de construir uma vida
política. Sem a ação política, a liberdade individual torna-se uma
impossibilidade ou, no máximo, toma a forma de uma ilusão. A emancipação só
pode ser concebida em termos da conquista da igualdade. Nesse sentido, a
liberdade política significa poder político do povo, em sua oposição ao poder
do Estado de direito burguês.
Marx, ao
desenvolver a crítica da sociedade burguesa, ressaltou a existência de uma práxis
social transformadora à perspectiva de classe do proletariado, alvo da
exploração exercida pela referida sociedade. Assim, em Marx, práxis passa a ser o conceito
central de uma nova filosofia, que não quer permanecer como filosofia, mas
transcender-se tanto em um novo pensamento metafilosófico como na transformação
revolucionária do mundo. Então, a definição de práxis será empregada no
sentido da ação transformadora, da transformação social, isto é, num sentido
revolucionário (práxis revolucionária).
Em sua teoria predominava o sentido de
mais-valia, que significava que o
capitalista não pagava ao trabalhador por tudo que ele produz, apenas o
suficiente para mantê-lo vivo. Com isso os donos de negócios ficavam mais ricos
e os trabalhadores cada vez mais pobres.
A teoria marxista
da mais-valia pode ser compreendida da seguinte forma: suponhamos que um
funcionário leve 2 horas para fabricar um par de calçados. Nesse período ele
produz o suficiente para pagar todo o seu trabalho. Mas, ele permanece mais
tempo na fábrica, produzindo mais de um par de calçados e recebendo o
equivalente à confecção de apenas um. Em uma jornada de 8 horas, por exemplo,
são produzidos 4 pares de calçados. O custo de cada par continua o mesmo, assim
também como o salário do proletário. Com isso, conclui-se que ele trabalha 6
horas de graça, reduzindo o custo do produto e aumentando os lucros do patrão.
Esse valor a mais (mais-valia) é apropriado pelo capitalista e constitui o que
Karl Marx chama de "Mais-Valia Absoluta". Além de o operário permanecer
mais tempo na fábrica o patrão pode aumentar a produtividade com a aplicação de
tecnologia. Dessa forma, o funcionário produz ainda mais. Porém o seu salário
não aumenta na mesma proporção. Surge assim, a "Mais-Valia Relativa”. Com
esse conceito Marx define a exploração capitalista.
Diante de tanta desigualdade nas
negociações entre capitalistas e proletários, os trabalhadores passaram a se
organizar em sindicatos com objetivo de defender os interesses dos
trabalhadores. Para Marx, o trabalho é fundamental para o homem enquanto ser
social. Criou uma educação politécnica, onde incluía a educação física. Com
essa educação possibilitaria que o indivíduo tivesse uma leitura ampla e
transformadora, um individuo crítico.
Nessa educação
transformadora, a escola teria basicamente um duplo papel: primeiro,
desmascarar todas as relações sociais, relações de dominação e exploração,
estabelecidas pelo capitalismo no âmbito da sociedade, tornando cada indivíduo
consciente da realidade social na qual ele está inserido; segundo, militar pela
abolição das desigualdades sociais, pelo fim da dominação e exploração de uma
classe sobre outra, com isso transformar a sociedade.
Infelizmente, os princípios estabelecidos por Marx não tem sido utilizados, uma vez que o modelo de educação que temos no Brasil é altamente exclusivo, discriminatório, onde só os indivíduos da classe dominante têm reais chances de alcançar uma melhor posição social no interior de seu grupo.
Infelizmente, os princípios estabelecidos por Marx não tem sido utilizados, uma vez que o modelo de educação que temos no Brasil é altamente exclusivo, discriminatório, onde só os indivíduos da classe dominante têm reais chances de alcançar uma melhor posição social no interior de seu grupo.
Mesmo tantos anos
depois de sua morte, Marx continua a influenciar historiadores e cientistas
sociais que independente de aceitarem ou não suas teorias concordam com a ideia
de que para se compreender uma sociedade deve-se entender primeiramente sua
forma de produção.
Pensamentos de Karl Marx
·
Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao
contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência;
·
Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas
maneiras; o que importa é modificá-lo;
·
O trabalhador só se sente a vontade no seu tempo de folga, porque
o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é trabalho forçado.
