sexta-feira, 19 de outubro de 2012



Um pouco da história da Pedagogia.

Origem.

            A palavra Pedagogia (παιδαγωγός ou Paidagogos) tem origem na Grécia antiga e era formada por duas palavras: paidós = crianças e agogos = condutor. Seu significado etimológico é preceptor, aquele que conduz, ou seja, condutor de crianças, aquele que ajuda a conduzir o ensino. No inicio, este era o trabalho de um escravo que também tinha como incunbências dar formação intelectual e cultural ao seu pupilo.  Numa visão mais atual Pedagogia é uma ciência, um conjunto de teorias, princípios e métodos da educação e do ensino cujo atual preocupação é encontrar formas de levar o indivíduo ao conhecimento. Juan Amós Comenius, monge cujo nome de batismo era Jan Komensky (1592-1670), nasceu em Moravia (parte da ex República Tcheca) é considerado o pai da Pedagogia. Líder religioso daquele país, estudou na Universidade de Heidelberg, foi professor e reitor nas cidades de Pierov e Fulnek, em Moravia.
            Efetivamente, a Pedagogia surgiu no sec. XVII tendo em Comenius, um dos seus principais iniciadores ele que foi o criador da Didática Moderna sendo considerado um dos maiores educadores do sec. XVII. Já naquele tempo, ele defendia a necessidade da interdisciplinaridade, da afetividade do educador, interações educacionais entre família e escola, o desenvolvimento do raciocínio lógico e do espírito científico. Sua grande obra foi o livro “A Grande Didacta” que embasou o pensamento educacional da instituição escolar moderna.

Objetivos.
O Objetivo Natural.
O objetivo é sem dúvida a EDUCAÇÃO, o processo de ensino e aprendizagem e como intervir e/ou de transmitir tecnicamente o conhecimento já que o Pedagogo é antes de tudo um ser humano, um indivíduo, ser social e cidadão. Mesmo sendo o campo educacional muito vasto, o Pedagogo deve buscar uma melhor forma de promover a contrução do conhecimento tendo como sua poderosa aliada a Didática. É um profissional que deve conhecer bem o seu objeto de estudo e produzir algo novo na sistemática mesma da Pedagogia e promover sempre uma reflexão nos educandos. Nos atuais, a Pedagogia esta presente em praticamente todas as ramificações profissionais ajudando e formando novos profissionais destas diversas areas de atuação.
 O Objetivo Profissional.
Atualmente, denomina-se pedagogo o profissional cuja formação é a Pedagogia, que no Brasil é uma graduação e que, por parte do MEC - Ministério da Educação e Cultura é um curso que cuida dos assuntos relacionados à Educação por excelência, portanto se trata de uma Licenciatura, cuja grade horário-curricular atual estipulada pelo MEC confere ao pedagogo, de uma só vez, as habilitações em educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos, coordenação educacional, gestão escolar, orientação pedagógica, pedagogia social e supervisão educacional, sendo que o pedagogo também pode, em falta de professores, lecionar as disciplinas que fazem parte do Ensino Fundamental e Médio, além se dedicar à área técnica e científica da Educação, como por exemplo, prestar assessoria educacional. Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que podem ser reunidas em três grupos básicos: disciplinas filosóficas, disciplinas científicas e disciplinas técnico-pedagógicas. 

A Pedagogia no Brasil.

            Em 04 de abril de 1939, o Decreto-lei 1,190 incluiu o curso de Pedagogia na grade da Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil (atual UFRJ). A década de 30 trouxe a reforma Francisco Campos e também debates em torno da criação das universidades brasileiras, influenciados em parte pelo ideário da escola nova. Antes mesmo de se constituir como um curso, a Pedagogia chegou à universidade através dos Institutos de Educação, principalmente pelo Instituto de Educação do Distrito Federal, concebido por Anísio Teixeira e dirigido por Lourenço Filho, em 1932; e do Instituto de Educação de São Paulo, criado um ano depois, por Fernando de Azevedo. Estas experiências somadas as da Universidade de São Paulo referentes à formação profissional de professores secundários, por meio, inicialmente, do Instituto de Educação Caetano de Campos constituíram-se como referencial para instituição do curso de Pedagogia na Faculdade Nacional de Filosofia.
            Quando Francisco Campos assumiu o Ministério da Educação e Saúde Pública, em 18 de novembro de 1930, destacou a necessidade de formação específica para os professores em especial, para atuar no ensino secundário cujo debate já vinha de pelo menos 1931 com a criação da Faculdade de Educação, Ciências e Letras. Os próprios Institutos de Educação foram pensados a partir de uma concepção de pedagogia como ciência, visando proporcionar ao futuro professor a necessária formação para a docência e, também, para a pesquisa.
            Entretanto, formar o professor para atuar no ensino secundário não era a única finalidade dessa faculdade, caberia a ela também o enfoque de um ambiente cultural, que favorecesse uma formação filosófica, sociológica e histórica da “elite pensante” da sociedade da época. Ainda nesta década, foi criado também o curso de Didática cujo Decreto-Lei nº. 3.454, de 24 de julho de 1941 decidiu que a partir do ano de 1942 o Curso de Didática não poderia ser feito simultaneamente a outro curso de bacharelado assim, o Curso de Pedagogia teve por finalidade primeira formar bacharéis e licenciados, de acordo com o modelo 3+1: 3 anos de bacharelado e um ano de licenciatura, sendo esta realizada no Curso de Didática. Quanto aos licenciados, poderiam atuar como professores da Escola Normal.
            Entre os anos de 1939 e de 1962, foi homologado o segundo ato normativo referente ao Curso de Pedagogia, que não mudou nada a forma organizacional.
            Em 1961, fixou-se o currículo mínimo do curso de bacharelado em Pedagogia, composto por sete disciplinas indicadas pelo CFE- Conselho Federal de Educação, e mais duas escolhidas pela instituição com a intenção de definir a especificidade do bacharel em Pedagogia e manter uma unidade de conteúdo em todo o território nacional. Regulamentada pelo Parecer CFE nº. 292/1962, a licenciatura previa o estudo de três disciplinas: Psicologia da Educação, Elementos de Administração Escolar, Didática e Prática de Ensino; esta última em forma de Estágio Supervisionado. Mantinha-se assim, a dualidade, bacharelado e licenciatura em Pedagogia.
            Em 1968, durante o regime militar, houve uma reordenação no ensino superior através da Lei 5.540/68, que teve como consequência a modificação do currículo do curso de Pedagogia, dividindo o curso em habilitações técnicas, para formação de especialistas em Supervisão, Orientação, Administração e Inspeção Educacional, assim como outras especialidades necessárias ao desenvolvimento nacional e às peculiaridades do mercado de trabalho, e orientando-o tendencialmente não apenas para a formação do professor do curso normal, mas também do professor de ensino infantil e fundamental em nível superior, mediante o estudo da Metodologia e Prática de Ensino de 1° Grau sob o argumento de que “quem pode o mais pode o menos” ou de que “quem prepara o professor primário tem condições de ser também professor primário”. Ressalta-se, ainda, que aos licenciados em Pedagogia também era concedido o registro para lecionar Matemática, História, Geografia e Estudos Sociais, no primeiro ciclo do ensino secundário, anterior a 1972. Com isso, o pedagogo recebeu estatus de “Especialista em Educação”.  Hoje a duração no Ensino Superior em Licenciatura Plena em Pedagogia é de quatro anos.
            No inicio da década de 80, várias universidades observaram o momento histórico, a mudança da forma de governo e produziram reformas no currículo para atender o mercado formando profissionais pedagogos e professortes para atuarem na educação pré-escolar e nas séries iniciais do ensino fundamental. A ideia central continuava a mesma, ou seja, ensinar, aprender, gerir escolas, etc.
            Nos dias atuais, o curso de Pedagogia apresenta um vasto currículo que proporciona a seus profissionais um aprendizado mais amplo, consequentemente, mais informações.
            A Lei 9.394/96 (a nova LDB – Lei de diretrizes e Bases da Educação) em seus artigos 62, 63 e 64 trouxe uma grande celeuma: o artigo 62 que introduz a figura dos institutos superiores de educação para responder, juntamente com as universidades, pela formação de docentes para atuar na educação básica; o artigo 63 que, em seu inciso I, institui, dentre os cursos a serem mantidos por esses novos institutos, o curso normal superior destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; por fim, o artigo 64 que fixa duas instâncias alternativas à formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, quais sejam, os cursos de graduação em pedagogia ou o nível de pós-graduação. Com certeza a nova LDB trouxe avanços para a educação e, como não me cabe aqui discuti-la ou critica-la, fica aqui registrada a minha esperança por dias melhores para a educação brasileira.

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