terça-feira, 16 de outubro de 2012



Anton Makarenko.
Imagine um grupo de crianças com quase nenhuma educação e com um monte de problemas. Consideradas marginais, ninguém as queria. Makarenko  quis. O mestre ucraniano Anton Makarenko concebeu um modelo de escola baseado na vida em grupo, na autogestão, no trabalho e na disciplina que contribuiu para a recuperação de jovens infratores
Depois da revolução bolchevique, Lênin queria uma educação igualitária e de qualidade para todos os sovietes.  A ideia era uma educação baseada na Teoria Socialista ou seja: Politécnica, laica e política. Na zona rural essa missão foi dada a Anton Semionovich Makarenko ucraniano e pedagogo, simpatizante das ideias de Lênin.
Makarenko desenvolveu um método que organizava a escola como coletividade e levava em conta os sentimentos, as necessidades e os anseios dos alunos na busca pela felicidade, aliás, um conceito que só seria real se fosse para todos. O que importava eram os interesses da comunidade e das  crianças não importando sua origem ou se eram infratores ou não, todos tinham os mesmos privilégios (como por exemplo opinar e discutir suas necessidades no universo escolar). "Foi a primeira vez que a infância foi encarada com respeito e direitos", diz Cecília da Silveira Luedemann, educadora e autora do livro Anton Makarenko, Vida e Obra A Pedagogia na Revolução. 
Com um pouco de rigidez e disciplina, ele quis formar personalidades, criar pessoas conscientes de seu papel político, cultas, sadias e que se tornassem trabalhadores preocupados com o bem-estar do grupo, ou seja, solidários Makarenko queria formar crianças capazes de dirigir a própria vida no presente e a vida do país no futuro. Exercícios físicos, trabalhos manuais, recreação, excursões, aulas de música e idas ao teatro faziam parte da rotina.. Na nova Rússia socialista, o trabalho era considerado essencial para a formação do homem, não só um valor econômico. Makarenko aprendeu tudo na prática, errava e acertava, primeiro na escola da Colônia Gorki e depois na  Comuna Dzerjinski.  Makarenko registrava tudo  em relatórios, textos e livros. As dificuldades e os desafios daquela época são muito parecidos com os de hoje. Aquelas atitudes de quase um século atrás, correspondiam às necessidades da época, mas servem de reflexão para buscar soluções atuais e entender a educação no mundo. Em 1938 Makarenko publicou “o Livro dos Pais”. O objetivo era mostrar a importância da participação da família na escola e como educar as crianças em tempos difíceis.
         Anton Semionovich Makarenko nasceu em 1888 na Ucrânia, filho de um operário ferroviário e de uma dona de casa. Aprendeu a ler e escrever com a mãe, como a maioria das crianças da época, e logo depois foi matriculado numa escola primária. Lá teve acesso às disciplinas de Língua Russa, Aritmética, Geografia, História, Ciências Naturais, Física, Desenho, Canto, Ginástico e Catecismo, mas não pôde estudar sua língua materna, a ucraniana, proibida pelo império czarista na Rússia, nem Lógica e Filosofia, exclusivas da elite. Aos 17 anos, Makarenko concluiu o curso de Magistério e entrou em contato com as ideias revolucionárias de Lênin e Máximo Gorki, que influenciaram sua visão de mundo e de educação. Sua primeira experiência em sala de aula ocorreu em 1906, na Escola Primária das Oficinas Ferroviárias, onde lecionou por oito anos. Em seguida assumiu a direção de uma escola secundária. Mais consciente do modelo de educação que queria aplicar, ampliou o espaço cultural e mudou o currículo com a ajuda de pais e professores. E estabeleceu o ensino da língua ucraniana. Sua mais marcante experiência deu-se de 1920 a 1928, na direção da Colônia Gorki, instituição rural que atendia crianças e jovens órfãos que haviam vivido na marginalidade. Lá ele pôs em prática um ensino que privilegiava a vida em comunidade, a participação da criança na organização da escola, o trabalho e a disciplina. Publicou novelas, peças de teatro e livros sobre educação, sendo Poema Pedagógico o mais importante. Morreu de ataque cardíaco durante uma viagem de trem em 1939, ano que ficaria marcado pelo início da Segunda Guerra Mundial. 
Sugestão de livros:
- Poema Pedagógico, 3 vols., Anton Makarenko, Ed. Brasiliense, 1983 (disponível apenas em bibliotecas)
-Conferências sobre Educação Infantil, Anton Makarenko, Ed. Moraes, 1981

Fontes de consulta:

- Anton Makarenko, Vida e Obra A Pedagogia na Revolução, Cecília da Silveira Luedemann, 432 págs., Ed. Expressão Popular.
- Wikipedia.com
- revistaescola.abril.com.br
- dominiopublico.gov.br

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